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Engenharia de Software Moderna

Marco Tulio Valente

O que é Injeção de Dependência?

Injeção de Dependência não faz parte dos padrões de projeto do livro GoF. Porém, a solução é frequentemente listada como um padrão que poderia ser incluído em uma possível segunda edição do livro.

A ideia de Injeção de Dependência é bastante simples e quase que uma aplicação literal do seu nome. Vamos então explicá-la em quatro passos:

  1. Suponha que uma classe A dependa de uma outra classe B:
class A {
   B b; // A depende de B
}
  1. No entanto, para seguir a ideia do padrão, a classe A não deve instanciar diretamente – isto é, no seu código — objetos do tipo B, como em:
class A {
   B b = new B();  // instanciação incompatível com injeção de dependência 
}
  1. Em vez disso, a classe A deve receber essa dependência por meio de um construtor:
class A {
   B b;
   A(B b) { // injeção de dependência via construtor
      this.b = b;
   }
}

ou então receber a dependência por meio de um método set:

class A {
   B b;
   void setB(B b) { // injeção de dependência via setter
      this.b = b;
   }
}

Logo, agora fica fácil entender o nome do padrão: as dependências de uma classe são injetadas nela, seja por meio de chamadas do seu construtor ou por meio de chamadas de um setter.

  1. Na verdade, o mais recomendado é que o código de A use uma interface (isto é, uma abstração) para a classe concreta B. Ou seja, em vez de usar B (uma classe concreta), deve-se usar IB (uma interface):
class A {
   IB b;   // dependência para uma interface IB
   A(IB b) {
      this.b = b;
   }
}

ou

class A {
   IB b;  // dependência para uma interface IB
   void setterB(IB b) {
      this.b = b;
   }
}

Ou seja: quando usamos Injeção de Dependência devemos fazer uso do princípio de projeto Prefira Interfaces a Classes Concretas, que estudamos no Capítulo 5.

Para concluir, as vantagens de Injeção de Dependência são:

  • Injeção de Dependência torna mais fácil mudar a dependência concreta (B) usada por uma classe A. Por exemplo, A pode ser uma classe que precisa enviar mails. Para isso, ela faz uso de uma classe B1. Amanhã, no entanto, podemos decidir que os mails serão enviados por uma classe B2. Para isso, basta que B1 e B2 implementem a interface IB.

  • Injeção de Dependência torna mais fácil o teste da classe A, pois podemos mockar mais facilmente a dependência para B. Por exemplo, em vez de um serviço de mail real (B1 ou B2), podemos usar um serviço de mail fictício, que apenas emule o envio de uma mensagem simples. Para isso, basta que esse serviço fictício implemente a interface IB. Se você ainda não sabe o que é um mock, recomendamos a leitura do Capítulo 8.

Frameworks para Injeção de Dependência

Uma desvantagem de Injeção de Dependência é que a responsabilidade por criar as dependências – isto é, instanciar os objetos que serão passados para a classe – é transferida para os seus clientes, como no seguinte exemplo:

class Cliente {
  void foo() {
     IB b = new B1();  // instancia dependência
     A a = new A(b);   // injeta dependência na classe A
     ...
  } 
}

No entanto, existem frameworks que evitam que os clientes tenham esse trabalho extra. Basicamente, eles assumem a responsabilidade de criar as dependências e injetá-las nas classe de destino.

De um modo genérico, costuma funcionar assim:

class A {
   IB b;

   @Inject // anotação disponibilizada pelo framework
   A(IB b) { 
      this.b = b;
   }
}

A anotação @Inject indica que a classe A quer fazer uso de Injeção de Dependência. E que, portanto, as dependências do seu construtor deverão ser criadas e injetadas pelo framework de injeção de dependências.

No entanto, algum desenvolvedor deverá declarar a classe dos objetos que devem ser criados toda vez que o framework precisar chamar um construtor anotado com @Inject. Isso pode acontecer em um arquivo XML, um outro tipo de arquivo ou mesmo em um método específico. Em qualquer caso, a ideia é declarar uma tabela com duas colunas: interface e classe concreta.

No nosso exemplo, essa tabela deve incluir a linha (IB, B1). Essa linha define que objetos do tipo B1 deverão ser instanciados e injetados em todas as classes que precisarem de dependências do tipo IB.

Por fim, o cliente, quando precisar instanciar um objeto de uma classe que usa @Inject, não precisará mais chamar o operador new, mas sim um método do próprio framework, como em:

class Cliente {
  void foo() {
     A a = DIF.getInstance(A.class);
     ...
  } 
}

Ou seja, getInstance é um método que instancia classes que usam Injeção de Dependência. O nosso framework de injeção de dependência (DIF) entende então que:

  • A classe A faz uso de injeção de dependência, pois seu construtor foi anotado com @Inject.

  • Antes de instanciar um objeto da classe A, o framework deve criar os objetos (dependências) usados pelo construtor dessa classe. No caso, esses objetos são de classes que implementam a interface IB.

  • Mas qual classe que implementa IB deve ser instanciada? Para isso, o framework consulta o arquivo de configuração e descobre que IB está mapeada para B1, conforme explicamos anteriormente.

  • Então o framework instancia um objeto do tipo B1 e um objeto do tipo A . Ao instanciar esse último objeto ele também passa o objeto do tipo B1 como parâmetro de seu construtor.

A explicação que acabamos de apresentar foi baseada no Guice, um framework de injeção de dependências para Java, desenvolvido pelo Google. No entanto, existem outros frameworks semelhantes, tanto para Java como para outras linguagens.

Exercícios

  1. Como explicamos no Capítulo 6, padrões de projeto são classificados em padrões criacionais, estruturais e comportamentais. Em qual dessas categorias você classificaria Injeção de Dependência? Justifique brevemente.

  2. Injeção de Dependência, muitas vezes, é comparada com padrão de projeto Fábrica. Qual a desvantagem de injetar dependências por meio de fábricas? Para responder, compare os seguintes códigos:

class A {
  IB b;
  A(IB b) { 
    this.b = b; // injeção de dependência 
  }
}
class A {
  IB b;
  A() { 
    this.b = IB_Factory.getInstance(); // fábrica
  }
}
  1. Qual a relação entre Injeção de Dependência (padrão de projeto) e Inversão de Dependência (princípio de projeto). Para saber mais sobre Inversão de Dependência, consulte o Capítulo 5.

  2. Por que costuma-se dizer que Injeção de Dependência pode, em certos casos, violar a propriedade de Ocultamento de Informação? Para ilustrar a sua resposta use como exemplo a classe Estacionamento da Seção 5.3.1 do Capítulo 5 do livro.


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